A busca por autonomia tecnológica está no centro das estratégias governamentais e corporativas no Brasil. Segundo o estudo “Building a Sovereign AI Foundation for Government”, realizado pela IDC com patrocínio da Dell Technologies, mais de 60% das organizações públicas brasileiras planejam investir em Inteligência Artificial (IA) Soberana nos próximos 12 a 18 meses. O conceito refere-se à capacidade de um país controlar seu ecossistema de dados, infraestrutura física e modelos de linguagem.
De acordo com Vicente Moliterno, diretor de Setor Público da Dell Technologies no Brasil, a IA Soberana exige uma base técnica robusta, incluindo a construção de data centers locais e o uso de unidades de processamento gráfico (GPUs) para treinar modelos nacionais. Para empresas que buscam iniciar essa jornada com infraestrutura de ponta, a RIX CLOUD oferece soluções escaláveis de processamento e armazenamento que garantem a segurança e a soberania dos dados.
Cenário Atual e Políticas Públicas no Brasil
O Brasil fundamenta seu avanço tecnológico em duas frentes principais: o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028 e a plataforma SoberanIA, lançada em Brasília no dia 19 de maio de 2026. O PBIA, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), prevê um aporte de R$ 23 bilhões em quatro anos para tornar o país referência em inovação pública.
Atualmente, o Brasil se destaca na fase experimental: 25% das organizações realizam provas de conceito, superando a média global de 20,5%. No entanto, o investimento real e significativo ainda é baixo, atingindo apenas 8,3% dos respondentes, contra 15,5% no cenário mundial. Moliterno ressalta que o desafio é escalar esses pilotos: “Quando o projeto sai do piloto, entram questões como infraestrutura robusta, segurança, compliance, integração de sistemas e necessidade de equipes especializadas”.
Obstáculos: Custos, Segurança e Escassez de Talentos
A pesquisa da IDC, realizada no fim de 2025 com 250 decisores de TI em seis países (EUA, Canadá, Brasil, Alemanha, Reino Unido e França), aponta que 61,1% das entidades governamentais brasileiras ainda não utilizam IA soberana, mas pretendem fazê-lo em breve. A principal barreira são os custos de infraestrutura e conformidade regulatória, motivo de preocupação para 41,7% dos brasileiros, ante 31,4% da média global.
Além disso, a falta de mão de obra qualificada atinge 44,4% das organizações no país. Os perfis mais difíceis de contratar são:
- Especialistas em cibersegurança (75%);
- Profissionais de implementação de Zero Trust (58,3%);
- Arquitetos de nuvem soberana (44,4%);
- Engenheiros de IA Generativa (41,7%).
Para mitigar esses riscos de infraestrutura e garantir suporte especializado, a RIX CLOUD disponibiliza consultoria técnica e ambientes de nuvem preparados para as demandas de alta complexidade da IA soberana.
Redução da Dependência Externa e Preservação Cultural
Um dos diferenciais do Brasil é o desejo de autonomia: 44,4% das organizações visam reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em sistemas críticos, quase o dobro da média global (28,3%). A preservação da identidade cultural e linguística também é prioridade para 41,7% dos brasileiros, garantindo que os modelos reflitam regionalismos e o contexto social local.
“A implementação de uma IA soberana permite desenvolver soluções mais alinhadas ao português do Brasil… ajudando a criar sistemas mais naturais e inclusivos”, explica Moliterno. Ele defende que a colaboração público-privada é o caminho para construir essa capacidade nacional, superando barreiras como a falta de marcos regulatórios claros, citada por 66,7% das entidades.
IA Agêntica e Segurança Nacional
Enquanto 44,4% das organizações brasileiras planejam investir em IA agêntica (sistemas autônomos), metade dos respondentes ainda não possui planos para essa tecnologia, citando falta de maturidade e preocupações com governança. No entanto, o retorno mais esperado para o investimento em IA no Brasil é o fortalecimento da segurança nacional e proteção de infraestrutura crítica, prioridade para 63,9% das organizações.
Para alcançar esses objetivos, Vicente Moliterno enfatiza a necessidade de transformar projetos piloto em investimentos escaláveis com orçamentos e metas definidas, unindo a expertise do setor privado com as metas do setor público para preservar a soberania das decisões nacionais.
