Uma investigação conduzida pelo jornalista francês Jean-Marc Manach revelou a existência de mais de 15 mil sites operando em língua francesa que se passam por veículos de imprensa profissionais, mas que utilizam inteligência artificial para gerar conteúdo. O levantamento, detalhado em 18 de julho de 2026, aponta que essas páginas utilizam a tecnologia para reescrever reportagens e criar identidades fictícias de autores com o intuito de atrair audiência e lucros publicitários.
Mapeamento global de sites automatizados
O estudo, iniciado em 2024, não se limita ao território francês. Manach identificou uma rede vasta que inclui 1,5 mil domínios em inglês, mais de 200 em alemão e 130 em espanhol. A operação desses sites é frequentemente gerida por especialistas em SEO (otimização para mecanismos de busca) que utilizam ferramentas de IA para publicar milhares de textos diariamente com mínima intervenção humana.
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Estratégias de manipulação e desinformação
De acordo com os dados apresentados à Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), a investigação mostra que esses sites operam de duas formas principais:
- Reescrita de conteúdo: A IA processa reportagens de veículos tradicionais e as republica com outras palavras para evitar plágio direto.
- Fabricação de notícias: Em casos mais graves, a tecnologia inventa informações ou mescla fatos reais com dados falsos, atribuindo os textos a nomes de jornalistas inexistentes para conferir uma falsa credibilidade.
O objetivo central é dominar os primeiros resultados em plataformas como o Google Discover e outros buscadores, desviando a receita de publicidade digital que deveria ir para o jornalismo profissional.
Ameaça ao ecossistema de informação
Manach ressalta que essas redes representam uma ameaça direta às redações profissionais, pois conseguem superar veículos tradicionais no ranking de buscas devido ao volume massivo de publicações. Como resposta, a equipe do site Next.ink desenvolveu uma extensão de navegador gratuita que alerta os usuários quando um domínio pertence a esse banco de dados de sites automatizados.
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Cooperação contra a IA predatória
A WAN-IFRA defendeu publicamente uma maior colaboração entre empresas jornalísticas. A entidade sugere o compartilhamento de métodos de verificação e a pressão conjunta sobre as plataformas digitais para que adotem filtros mais rigorosos contra esse tipo de conteúdo automatizado. A investigação de Jean-Marc Manach começou de forma fortuita, quando o jornalista notou links suspeitos em seu Google Alerts e decidiu rastrear a origem das publicações no portal Next.ink.
