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Apple acusa OpenAI de espionagem industrial e roubo de segredos comerciais em processo judicial

A Apple deu início a uma ofensiva jurídica contra a OpenAI na última sexta-feira, 10, protocolando uma ação no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia. A fabricante do iPhone acusa a startup de inteligência artificial de orquestrar um esquema de espionagem industrial para obter segredos sobre produtos de hardware ainda em fase de desenvolvimento.

De acordo com os autos do processo, a OpenAI teria incentivado candidatos a vagas de emprego, oriundos da Apple, a revelarem informações confidenciais. A acusação detalha que a startup solicitou que esses profissionais levassem componentes físicos e protótipos de dispositivos da Apple para serem apresentados durante as entrevistas de recrutamento.

Alegações de desvio de propriedade intelectual

A Apple afirma que um colaborador da OpenAI realizou o download de documentos internos sigilosos a partir de um laptop da empresa. Tais informações teriam sido utilizadas pela startup para contatar e negociar com parceiros da cadeia de suprimentos da Apple. Em um episódio específico citado na ação, a OpenAI teria solicitado a um fornecedor a demonstração de uma técnica exclusiva de acabamento metálico desenvolvida pela gigante de Cupertino.

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A crise entre as empresas já demonstrava sinais anteriores. Em fevereiro, a Apple enviou uma notificação formal à OpenAI expressando preocupação com o vazamento de dados, mas a startup teria ignorado o contato. Agora, a Apple busca uma liminar judicial para impedir que a OpenAI utilize, compartilhe ou mantenha posse de qualquer segredo comercial obtido indevidamente, exigindo a devolução imediata da propriedade intelectual.

Criação de divisão de hardware e contratação de talentos

A Apple sustenta que a nova divisão de hardware da OpenAI foi construída sobre “alicerces extremamente frágeis”, dependendo diretamente de segredos apropriados de forma ilícita. Recentemente, a OpenAI investiu US$ 6,5 bilhões na aquisição da IO, estúdio de design fundado por Jony Ive, ex-líder de design da Apple, o que acelerou a migração de engenheiros e designers da gigante tecnológica para a startup.

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Ex-executivos no centro da polêmica

O processo cita nomes específicos de ex-funcionários. Tang Tan, atual diretor de hardware da OpenAI e ex-executivo da Apple, é acusado de orientar contratados sobre métodos para contornar protocolos internos de segurança. Outro ex-empregado, Chang Liu, é acusado de baixar documentos técnicos enquanto já trabalhava para a OpenAI e de instruir outros funcionários sobre quais detalhes de produtos não anunciados deveriam ser estudados para processos seletivos.

Segundo a denúncia, Liu também pretendia acessar informações internas por meio de um computador da Apple que não foi devolvido após seu desligamento.

Desgaste na parceria comercial

O litígio marca o ápice do desgaste na relação entre as companhias. Embora tenham firmado um acordo em 2024 para integrar o ChatGPT à assistente Siri, a OpenAI demonstrou insatisfação com a forma da implementação. Por outro lado, a Apple diversificou suas alianças, anunciando em janeiro uma parceria com o Google para fortalecer seus recursos de inteligência artificial.

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