O setor de infraestrutura tecnológica no Brasil está prestes a vivenciar um salto histórico. De acordo com o levantamento Data Center Brasil 2026, realizado pela JLL (Jones Lang LaSalle), o mercado brasileiro deve dobrar de tamanho até o ano de 2030, impulsionado por investimentos bilionários e uma demanda crescente por processamento de dados.
Atualmente, o país já lidera o cenário na América Latina com 706 MW (megawatts) de capacidade instalada, o que representa aproximadamente 50% de todo o volume da região. O estudo, assinado pelo analista Eduardo Vargas e publicado pela Forbes Real Estate, projeta que 2026 será um ano recorde para as entregas de novos empreendimentos no setor.
Os Principais Polos de Conectividade no Brasil
São Paulo, Barueri e Campinas consolidam-se como os maiores eixos de data centers do território nacional. A capital paulista, especificamente, atua como o hub mais relevante da América Latina, detendo 38% da capacidade total em megawatts do Brasil. Para quem busca alta performance nesses centros, a RIX CLOUD oferece soluções de conectividade que aproveitam essa infraestrutura robusta.
Rafael Picerni, analista de Pesquisa e Estratégia da JLL, destaca que a tendência é de expansão contínua: “Nosso mapeamento revela que essas áreas registrarão aumento de 82,5% [SP e Barueri] e 60,9% [Campinas] até 2028, reafirmando sua importância nacional no segmento”.
Projeções Financeiras e Expansão de Mercado
O primeiro semestre de 2026 já registrou a entrada de 106 MW no mercado, sendo 75 MW oriundos de Campinas (incluindo uma unidade de 20 MW da Ascenty em Vinhedo) e 31 MW do eixo São Paulo/Barueri. Para o segundo semestre, a previsão é de mais 134 MW, totalizando um investimento de cerca de US$ 8 bilhões (R$ 41,1 bilhões).
Olhando para o final da década, a expectativa é atingir 660 MW em construção, movimentando cerca de US$ 17,4 bilhões (R$ 89 bilhões). Bruno Porto, gerente da JLL, ressalta a alta demanda: “Em 2026, 56% do novo estoque em construção já está pré-locado, demonstrando o potencial de absorção”. A taxa de vacância geral no país é de apenas 4%.
Quem Lidera o Mercado de Colocation?
Atualmente, três gigantes dominam 70% da capacidade operacional de colocation no Brasil:
- Ascenty: 30%
- Odata: 20%
- Scala: 18%
Equinix e Elea Digital detêm 9% cada, enquanto empresas como Cirion Technologies, Tec.to, Takoda e NextStream dividem o restante do mercado. Contudo, espera-se uma mudança na liderança ainda em 2026, com a inauguração de novas instalações da Scala em Barueri. Considerando projetos planejados e obras, a Scala deve alcançar 800 MW (além do projeto Scala AI City de 1,5 GW), superando a Ascenty (520 MW) e a Omnia (500 MW).
O Impacto dos Hyperscalers e a Inteligência Artificial
Os chamados hyperscalers (grandes provedores de nuvem e tecnologia) são os principais motores desse crescimento. A locação de espaço por essas empresas saltou de 230 MW em 2021 para 780 MW na metade de 2026, uma alta de 64% desde 2025. Essas empresas operam em modelo híbrido: alugam capacidade de terceiros e constroem estruturas próprias (built-to-suit).
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Análise Regional: Vacância e Custos
O mercado apresenta variações significativas por região. Enquanto São Paulo e Campinas possuem vacâncias baixas (6% e 1%), mercados em expansão como Porto Alegre e Fortaleza registram 40% e 25%, respectivamente, devido à oferta antecipada à demanda.
Em termos de custos (dólar por kW/mês), Fortaleza pratica os preços mais altos (até US$ 385 no varejo), enquanto São Paulo e Barueri oferecem os valores mais competitivos para grandes operações (US$ 135 em contratos de Hyperscale).
Infraestrutura de Cabos e Regulação
A posição estratégica do Brasil é reforçada pela rede de cabos submarinos em Fortaleza, Rio de Janeiro e Santos, que conectam o país aos EUA, Europa e África. A disponibilidade de energia limpa e o incentivo fiscal Redata, que aguarda aprovação no Congresso, são apontados pela JLL como pilares para a sustentabilidade do setor no longo prazo.
