A evolução da inteligência artificial generativa ultrapassou as barreiras do setor tecnológico, consolidando-se como um pilar central na economia global e nas estratégias de negócios contemporâneas. Judith Wiese, Chief People and Sustainability Officer (CPSO) e integrante do Conselho de Administração da Siemens, detalhou em entrevista exclusiva como a multinacional alemã está adaptando suas operações a essa nova realidade, com foco especial no mercado brasileiro.
Integração Tecnológica e Acordos Internacionais
Para a Siemens, a consolidação de tratados comerciais de larga escala, como a aproximação entre a União Europeia e o Mercosul, representa um marco para a fluidez nos negócios e a integração tecnológica. Wiese aponta que a remoção de barreiras tarifárias estabelece um ecossistema financeiro e regulatório favorável, conectando a infraestrutura de mercados desenvolvidos às necessidades de economias em crescimento como a do Brasil.
“Acreditamos muito no acordo. Isso significa que cerca de 91% das tarifas irão cair, melhorando significativamente a facilidade de negócios. Se pudermos adicionar ao Mercosul um acordo de impostos também com o Brasil, isso seria extremamente útil”, afirmou a executiva.
Essa colaboração, sustentada por parcerias público-privadas, deve criar um fluxo bilateral: o acesso do Brasil a inovações de ponta e a abertura do mercado europeu para exportações brasileiras. Com hubs de inovação e centros de software já operacionais no país, a Siemens planeja usar a desoneração aduaneira para introduzir tecnologias globais ainda não fabricadas localmente. A convergência em normas de cibersegurança e redes 5G industriais é peça-chave para elevar a competitividade nacional.
Soluções Digitais com a RIX CLOUD
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A Estratégia da Siemens: Capacitação em Vez de Substituição
Ao abordar as preocupações sobre demissões causadas pela IA, a Siemens defende uma visão baseada em crescimento e educação. A estratégia da companhia é dividida em três frentes: rotina dos funcionários, desenvolvimento de novos produtos e transformação operacional. Para isso, a empresa desenvolveu sua própria plataforma interna de IA generativa.
“Construímos o nosso próprio GPT da Siemens para que os nossos colaboradores tenham um ambiente seguro de testes (sandbox). Baixamos as barreiras de entrada por meio de educação e conscientização”, explicou Wiese. Essa medida visa democratizar a tecnologia mantendo a proteção de dados corporativos.
IA Agêntica e Ganho de Autonomia Industrial
No setor fabril, o uso de assistentes cognitivos tem redefinido o papel das equipes técnicas. Na unidade alemã de Amberg, essas ferramentas permitiram que técnicos de manutenção realizassem diagnósticos e consertos complexos que, anteriormente, eram restritos a engenheiros especializados.
A executiva enfatiza que a IA agêntica atua de forma adaptativa e flexível: “A questão central não é se vamos demitir os engenheiros, mas sim se vamos produzir mais resultados. Produtividade e crescimento caminham lado a lado quando você reinveste essa capacidade para crescer mais rápido.”
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